Corpo mártir, conheço o teu mérito obscuro;
tu soubeste ficar imóvel como o firmamento,
para deixar passar as estrelas do espírito,
ardendo no seu fogo e voando no seu vento...
Corpo mártir que és dor, que és transe, que és silêncio,
e onde, obediente, vai batendo o coração,
sei que foste esquecido, e , quando um dia te acabares,
não é por ti que os olhos chorarão
Ninguém viu que tu foste o solo e o oceano dócil
que sustentou jardins e embalou tanta viagem,
que distribuiu amor, e mostrou beleza,
dando e buscando sempre a sua própria imagem.
Um dia tu serás símbolo, idéia e sonho
tudo o que agora apenas eu compreendo que és:
porque um dia virá que, nesta marcha do infinito,
alguém se lembrará que o mais alto dos cânticos
pousou, na tera, sobre uns pobres pés.
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21 de mar. de 2008
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