22 de mar. de 2008
"Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava.".
"Você pode não acreditar nisto, mas há as pessoas que passam pela vida com muito pouca fricção de angústia. Eles se vestem bem, dormem bem. eles estão contentes com a família deles. com a vida. Eles são imperturbáveis e freqüentemente se sentem muito bem. e quando eles morrem é uma morte fácil, normalmente durante o sono. Você pode não acreditar nisto mas tais pessoas existem. Mas eu não sou nenhum deles. Oh não, eu não sou nenhum deles, eu não estou nem mesmo próximo para ser um deles. Mas eles estão lá. ...e eu estou aqui."
"..passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida."
"Minha peça começa com o ator que desce à platéia, estrangula um crítico e, de um livrinho preto, lê todas as humilhações que sofreu e tomou nota. Depois vomita sobre o público. Em seguida, afasta-se e dá um tiro na cabeça.”
"Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais."
"Minha peça começa com o ator que desce à platéia, estrangula um crítico e, de um livrinho preto, lê todas as humilhações que sofreu e tomou nota. Depois vomita sobre o público. Em seguida, afasta-se e dá um tiro na cabeça.”
"Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais."
21 de mar. de 2008
Eu me lembro como começou
Todas briguinhas de brincadeira, todos os flertes
Eu te contei muitas coisas
Eu não sei porque confiei em você, mas eu sabia que podia
Sonhos, sonhos
Quando só havíamos começado as coisas
Sonhos de você e eu
Me parece
Que não posso apagar essas memórias!
As pequenas coisas que me trouxeram aqui
Eu sei parece besteira, mas é tão real
Eu sei não é certo, mas parece injusto
Que as coisas me lembrem você.
às vezes eu queria que pudéssemos só fingir
Mesmo que só por um fim de semana
Então venha, me diga
Esse vai ser o fim?
Você me levou ao shopping e fomos no cinema
Como se alguma vez tivéssemos necessitado de algo mais para nos distrair
A primeira vez que você me apresentou à seus amigos
Eu estava nervosa, então você segurou minha mão
E quando estou mal você faz "aquela cara"
Não há ninguém no mundo que possa te substituir
Eu sinto que não posso apagar essas memórias...
Eu imagino se você se sente como eu.
Todas briguinhas de brincadeira, todos os flertes
Eu te contei muitas coisas
Eu não sei porque confiei em você, mas eu sabia que podia
Sonhos, sonhos
Quando só havíamos começado as coisas
Sonhos de você e eu
Me parece
Que não posso apagar essas memórias!
As pequenas coisas que me trouxeram aqui
Eu sei parece besteira, mas é tão real
Eu sei não é certo, mas parece injusto
Que as coisas me lembrem você.
às vezes eu queria que pudéssemos só fingir
Mesmo que só por um fim de semana
Então venha, me diga
Esse vai ser o fim?
Você me levou ao shopping e fomos no cinema
Como se alguma vez tivéssemos necessitado de algo mais para nos distrair
A primeira vez que você me apresentou à seus amigos
Eu estava nervosa, então você segurou minha mão
E quando estou mal você faz "aquela cara"
Não há ninguém no mundo que possa te substituir
Eu sinto que não posso apagar essas memórias...
Eu imagino se você se sente como eu.
Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.
Velho Estilo
Corpo mártir, conheço o teu mérito obscuro;
tu soubeste ficar imóvel como o firmamento,
para deixar passar as estrelas do espírito,
ardendo no seu fogo e voando no seu vento...
Corpo mártir que és dor, que és transe, que és silêncio,
e onde, obediente, vai batendo o coração,
sei que foste esquecido, e , quando um dia te acabares,
não é por ti que os olhos chorarão
Ninguém viu que tu foste o solo e o oceano dócil
que sustentou jardins e embalou tanta viagem,
que distribuiu amor, e mostrou beleza,
dando e buscando sempre a sua própria imagem.
Um dia tu serás símbolo, idéia e sonho
tudo o que agora apenas eu compreendo que és:
porque um dia virá que, nesta marcha do infinito,
alguém se lembrará que o mais alto dos cânticos
pousou, na tera, sobre uns pobres pés.
-
tu soubeste ficar imóvel como o firmamento,
para deixar passar as estrelas do espírito,
ardendo no seu fogo e voando no seu vento...
Corpo mártir que és dor, que és transe, que és silêncio,
e onde, obediente, vai batendo o coração,
sei que foste esquecido, e , quando um dia te acabares,
não é por ti que os olhos chorarão
Ninguém viu que tu foste o solo e o oceano dócil
que sustentou jardins e embalou tanta viagem,
que distribuiu amor, e mostrou beleza,
dando e buscando sempre a sua própria imagem.
Um dia tu serás símbolo, idéia e sonho
tudo o que agora apenas eu compreendo que és:
porque um dia virá que, nesta marcha do infinito,
alguém se lembrará que o mais alto dos cânticos
pousou, na tera, sobre uns pobres pés.
-
Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas.
E depois voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas.
E depois voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
12 de mar. de 2008
Encenação
Ela revisou seus diálogos, e analisou a maquiagem no espelho. Seu figurino era perfeito, tal qual a cena que ela tanto ensaiara.
Não seria a primeira vez que entraria no palco e seus olhos lacrimejariam, seria pela luz ou pela emoção do recomeço, infindável; um recomeço incômodo e esperançoso. Tantas foram as vezes que encarnou o personagem, que esquecera quem era de fato. Estava acostumada a ser o que as pessoas queriam; não pelo prazer de satisfazê-las, mas por ser admirada, o principal de ser amada.
- Você tem olhos lindos
- São seus olhos. - ela adorava a ambiguidade dessa frase.
Sabia que estava no controle, afinal também era a diretora. Tinha o enredo e ele apenas usufruia da improvisação. Ela adorava o jeito que ele improvisava. Parecia conhecer sua expectativa, parecia estar seguro que era ele quem ela queria para o papel. De fato era, até o momento que ele esquecesse a fala inexistente, que seu beijo não tivesse a paixão requerida, que seus gestos não transmitissem verdade e que o público começasse a se retirar.
- Você tropeça em suas razões, que são poucas e distantes.
- Eu as deixaria desabar, mas restaria algo pra você?
- Querido, não deixe que se vá os sorrisos que tenho guardado. Assim eu fico bem e durmo tranquila.
- Deves saber que nada dura para sempre, são lições que você nunca aprenderá. E como isso pode te fazer bem?
- Contando que você esteja por perto.
- Mas enquanto isso, sou eu quem você possui.
- Você partiria em pedaços o lugar que ocupa no meu coração?
- Seu comportamento é estranho.
- Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.
- ...
Fingiria que sim.
Afinal, ele era um ator.
E ela uma atriz.
-
Não seria a primeira vez que entraria no palco e seus olhos lacrimejariam, seria pela luz ou pela emoção do recomeço, infindável; um recomeço incômodo e esperançoso. Tantas foram as vezes que encarnou o personagem, que esquecera quem era de fato. Estava acostumada a ser o que as pessoas queriam; não pelo prazer de satisfazê-las, mas por ser admirada, o principal de ser amada.
- Você tem olhos lindos
- São seus olhos. - ela adorava a ambiguidade dessa frase.
Sabia que estava no controle, afinal também era a diretora. Tinha o enredo e ele apenas usufruia da improvisação. Ela adorava o jeito que ele improvisava. Parecia conhecer sua expectativa, parecia estar seguro que era ele quem ela queria para o papel. De fato era, até o momento que ele esquecesse a fala inexistente, que seu beijo não tivesse a paixão requerida, que seus gestos não transmitissem verdade e que o público começasse a se retirar.
- Você tropeça em suas razões, que são poucas e distantes.
- Eu as deixaria desabar, mas restaria algo pra você?
- Querido, não deixe que se vá os sorrisos que tenho guardado. Assim eu fico bem e durmo tranquila.
- Deves saber que nada dura para sempre, são lições que você nunca aprenderá. E como isso pode te fazer bem?
- Contando que você esteja por perto.
- Mas enquanto isso, sou eu quem você possui.
- Você partiria em pedaços o lugar que ocupa no meu coração?
- Seu comportamento é estranho.
- Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.
- ...
Fingiria que sim.
Afinal, ele era um ator.
E ela uma atriz.
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5 de mar. de 2008
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